A importância de ter um irmão

Seja biológico, adotivo, gêmeo ou até aquele amigo que vira um irmãozão, não importa. O que vale é incentivar a cumplicidade entre eles

Vai ser duro ver as discussões, ouvir os gritos, apartar as brigas, mas a recompensa virá quando você chegar em casa e encontrar seus filhos brincando juntos. Ou ao perceber aquele olhar de cumplicidade entre eles quando fazem algo que não deveriam. Se ter um irmão é um ensaio para a vida, é natural que haja altos e baixos. E há também espaço para uma variedade de sentimentos, da admiração à inveja. A convivência é uma oportunidade para errar, testar o limite do outro, aprender a ter paciência, a admirar, a se frustrar e a amar. Esse, aliás, é o desejo de todos os pais em relação a seus filhos. Essa companhia tem muita função. É com os irmãos que a criança tem mais chances de aprender a se socializar e enfrentar o mundo, enquanto os pais ficam com a tarefa de transmitir valores. Ou seja: no cotidiano, eles prestam atenção no que o outro está fazendo, na experiência vivida, no exemplo a ser seguido. Cabe aos pais a orientação mais ampla, a direção dos caminhos, formar caráter. E com o irmão, por exemplo, ele aprende a encarar melhor os primeiros dias na escola, a andar de bicicleta, a desenhar um cachorro “daquele” jeito… E não importa a ordem de nascimento: caçula, do meio ou primogênito, todos aprendem uns com os outros. Pra que tanta discussão? Gêmeos tão, mas tão diferentes que se tornam rivais; irmãs que disputam a atenção dos pais da infância à vida adulta. Sim, parece uma novela do Manoel Carlos acontecendo aí na sua casa. Só que, por mais que deixem os pais malucos, brigas entre irmãos acontecem. “Antes de perder a paciência, lembre-se do que eles podem aprender com o conflito. Deixe que conversem, discutam, negociem e resolvam sozinhos. Assim aprendem a barganhar, a ceder, a trocar e a se amar”, diz a psicoterapeuta familiar Blenda Oliveira. Se algo passar do limite, claro, você vai intervir. Mas note que, muitas vezes, a briga é sinal de afeto. Mais difícil é quando os irmãos simplesmente se ignoram. “Sem brigas, mas com a possibilidade de um relacionamento no futuro frio e distante”, diz a psicóloga Laurie Kramer em Filhos, Novas Ideias sobre Educação (Ed. Leya).

 

Pode comparar? Comparações não são de todo ruins. “É importante evitá-las para não viver apenas em função disso. Se acontecer, não adianta sentir culpa. Somos comparados por toda a vida: na escola, temos que tirar boas notas e ter o melhor comportamento; quando nos apaixonamos, o amado pode querer ou não corresponder; para a faculdade, há sempre um processo seletivo, e no trabalho são escolhas o tempo todo”, diz a psicoterapeuta Blenda. Irmãos gêmeos sofrem ainda mais com isso porque todo mundo busca as pequenas diferenças entre eles. Outras diferenças E quando a personalidade é diferente demais e os irmãos não conseguem encontrar uma parceria? O papel dos pais, nesses casos, é incentivar o respeito, em primeiro lugar. Mas vez ou outra você se pega pensando se não está realmente favorecendo um em detrimento do outro. Pensa até se tem alguma predileção entre os filhos – mas tudo pode ser apenas uma reação. No livro Não Somos Iguais (Ed. Globo), a psicóloga Judith Harris analisou pesquisas que apontavam que o tratamento desigual dos pais em relação aos filhos não causavam as diferenças entre um e outro. “Uma criança muito ativa provavelmente será disciplinada mais duramente que a quieta”, diz. Diferença, respeito, amor, inveja, rivalidade, admiração são palavras que fazem parte do relacionamento entre irmãos – e não podem ser ignoradas pelos pais. Está tudo ali. Uma relação para a vida toda, que vai acontecendo a cada aniversário, discussão, viagem, brincadeira. São irmãos, têm intimidade para isso. E estarão ligados para sempre.

 

Fontes: Francisco Daudt, psicanalista, autor do livro Onde foi que eu acertei – o que costuma dar certo na criação dos filhos (editora Casa da Palavra) e Fátima aparecida silva, psicóloga especialista em terapia familiar

 

Adaptado pela Profª Heloisa Moser Bittencourt

Incentivar a autonomia é fundamental para o desempenho cognitivo da criança

Você faz tudo para o seu bebê? Tudo até encaixar um bloco de brinquedo que ele não está conseguindo? Veja só: um estudo realizado na Universidade de Montreal com 78 mães e filhos mostrou que, quando elas dão autonomia às crianças, há um impacto positivo na função executiva, um dos pilares do desenvolvimento cognitivo. Essa função engloba a memória de trabalho, raciocínio, capacidade de resolução de problemas e flexibilidade de tarefas, além da capacidade de planejamento e execução de atividades.

 

Autônomo desde cedo?

Você pode até achar exagero dar autonomia ao bebê desde pequeno. Mas trata-se de um processo gradual, que vai se desenvolvendo à medida que o seu filho realiza novas conquistas e adquire condições que contribuem pouco a pouco para que ele se torne independente. “Nós não ‘damos’ autonomia a uma criança, nós vamos ensinando e deixando que ela tente resolver questões, situações e conflitos nos quais houve uma orientação prévia, para que possamos reforçar os conceitos educativos e valores morais ensinados anteriormente. Neste sentido, a escolha da criança não é autônoma, mas supervisionada por pais ou responsáveis”, explica a psicóloga Rita Calegari, do Hospital São Camilo (SP).

Por isso, não se assuste: incentivar essa independência do seu filho é muito diferente de deixá-lo tomar decisões e fazer escolhas por conta própria. “Esse estímulo desde bebê é extremamente desejável. Para um desenvolvimento psicológico saudável é necessário que se interaja com o ambiente e que este o desafie, isto é: propor à criança situações que estimulem a busca ativa por soluções”, explica o psicólogo e neurocientista Hudson de Carvalho, do Código da Mente.

Isso quer dizer que você deve estar ao lado da criança, orientando no que for possível, incentivando a realização de tarefas e propondo novos desafios, sempre permitindo que ela supere seus limites e explore o ambiente, dentro do que for seguro. “Dar espaço e oportunidade ao bebê é um ato de amor, cuidado e desprendimento”, explica o psicólogo Hudson.

É precisamente este terceiro item que representa o maior obstáculo para os pais: todo mundo quer ver o filho feliz e realizado, por isso é difícil (e doloroso) vê-lo lidar com o erro e a decepção sem interferir. “O desprendimento surge quando o pai e mãe permitem que a criança lide com a frustração. Deve-se dar incentivos para que o bebê tente resolver algo que tenha condições de dar conta sozinho”, completa Hudson.

Quer saber como, no dia a dia, você pode incentivar a autonomia do seu filho? Confira abaixo dicas que você pode aplicar de acordo com a idade da criança:

– Envolva a criança aos poucos em pequenas escolhas do dia a dia. Deixe-a decidir qual será a sobremesa do almoço de sábado, por exemplo. Dê opções de trajes para que decida o que prefere vestir, apresente diferentes livros. Dica: limite o número de opções para que ela não se sinta perdida.

– Deixe o seu filho ciente sobre os ônus e bônus de toda a escolha, antes que ela decida o que quer e dê tempo para que possa refletir.

– Se a criança se arrepender da escolha que fez, ensine-a a lidar com a frustração! Explique que é assim mesmo, que haverá outras oportunidades e que ela fez o que achou melhor para aquele momento. Não a critique ou diga “eu te disse!”.

– Separe todos os dias 30 minutos para brincar com seu filho e neste período de tempo se proíba de corrigi-lo, repreendê-lo e guiar a brincadeira. Faça aquilo que ele indicar que quer fazer – desde que não o coloque em risco, claro!

 

Fonte: http://zip.net/bwqQjr

Adaptado pela Profª Bárbara Kristensen

Você costuma falar com o seu filho com “voz de bebê”?

É quase involuntário alterar a forma de falar na hora de se dirigir a um bebê. As vogais ficam mais alongadas, a entonação melodiosa e os fonemas são pronunciados articuladamente, ao mesmo tempo em que as expressões faciais traduzem o discurso. A sobrancelha se franze com ênfase na hora de dar uma bronca, a voz se torna doce e melosa na hora de fazer um carinho e mais forte a animada ao dar um parabéns. “Quem é o nenéeeem qui comeu tu-diiiii-nhoooo?”

No entanto, uma pesquisa realizada pelo IKEN Brain Science Institute (BSI), no Japão, em parceria com o Laboratoire de Sciences Cognitives et Psycholinguistique, de Paris, na França, mostrou que esse tipo de fala nem sempre é o mais claro para o bebê. Especialistas analisaram o discurso de 22 mães japonesas em duas circunstâncias diferentes: quando elas conversavam com outro adulto e quando elas se comunicavam com seus filhos.

A partir das gravações dos discursos dessas mulheres, foi possível comparar o grau de similaridade acústica entre sílabas parecidas como ‘ta’ e ‘da’ ou ‘po’ e ‘bo’. Analisando os 118 contrastes entre as sílabas mais frequentes, os pesquisadores concluíram que a mensagem ficava um pouco menos clara quando era dirigida à criança, ou seja, quando era mais infantilizada, do que no diálogo com um adulto.

Para o fonoaudiólogo Jaime Zorzy, do Conselho Federal de Fonoaudiologia, o resultado da pesquisa não deve deixar os pais preocupados: alterar a fala para se dirigir à criança não prejudica o desenvolvimento dela, desde que sejam observados certos limites. “Só não dá para usar sempre uma voz infantilizada, diminuir o tamanho das palavras ou imitar a fala da criança fazendo disso um padrão de comunicação”, explica.

Para os pesquisadores, a descoberta é importante “porque desafia a visão difundida de que os pais devem superarticular (as palavras)”, explica a cientista francesa Alejandrina Cristia, envolvida no estudo. Uma das hipóteses levantadas pelos especialistas é a de que a maneira como as mães alteram a linguagem ao se dirigir aos bebês tem um objetivo simples: o de tentar transmitir não só a mensagem em si, mas um sentimento junto da fala.

 

Uma questão de opinião

Pesquisas anteriores já haviam revelado resultados contrários, afirmando que essa fala mais cheia de firulas seria, sim, benéfica ao desenvolvimento dos bebês. Para Zorzy, resultados contraditórios podem refletir culturas distintas que, por sua vez, mudam a maneira como são estabelecidas as interações dos pais com os bebês. “Há uma influência cultural muito grande, inclusive sobre o tipo de relação entre filhos e pais, o que afeta a linguagem”, explica. Independente da cultura, as conclusões paradoxais entre diferentes estudos mostram que essa questão de usar ou não uma maneira modificada de falar com as crianças é divergente até mesmo entre os especialistas. “Acredito que a fala infantilizada não contribua para a evolução da linguagem”, afirma a fonoaudióloga Camila Gomiero, do Colégio Humboldt (SP). Para ela, os pais devem se atentar aos fatores que realmente contribuem para o desenvolvimento da criança e da linguagem oral, como o afeto, o acolhimento, a entonação, o hábito de contar histórias e o contato físico.

Uma voz mais melodiosa desperta na criança muito mais interesse do que uma voz seca e monótona, por exemplo. Nesse sentido, os pais podem, sim, usar de diversos artifícios para conquistar a atenção. Afinal, as expressões faciais e os gestos também fazem parte do processo de comunicação. O principal é que, optando ou não por falar com seu filho de um modo mais maternal, alguns conselhos servem para todos:

 

– Sempre fale olhando para a criança, de preferência na mesma altura dela, para que ela possa enxergar direito o seu rosto e ter também um modelo visual para a comunicação.

– Não use palavras erradas, como “bololeta” no lugar de “borboleta”, só porque é bonitinho falar errado. Mesmo que seu filho não pronuncie a palavra corretamente, cabe a você dar o exemplo: “Ah, você está falando da borboleta, filho?”

– Não corrija demais. Reforce o modelo correto de forma positiva, sem dizer que o modo como ele falou está errado. Isso pode fazer a criança se sentir desencorajada a falar e prejudicar o desenvolvimento da linguagem.

– Ao fazer uma pergunta, tenha paciência e dê um tempo para a criança se organizar e preparar uma resposta.

– Ajude a criança a verbalizar o que ela quer e incentive o jogo vocálico, em vez de usar apenas a comunicação “olho no olho”.

– Estimule-o sempre a ir cada vez mais longe. Se o seu filho já sabe usar uma palavra, ensine outra. Assim, ele começa a ampliar seu vocabulário.

– Sempre chame as palavras pelo nome específico: em vez de falar “isso é uma fruta”, ensine “banana”, “maçã”, “mamão”. Uma pesquisa da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, revelou que, quando os pais ensinam às crianças o nome certo dos objetos elas aprendem a reconhecer melhor as diferenças entre as coisas e desenvolvem uma atividade cerebral mais parecida com a de um adulto. Portanto, quando for ensinar uma nova palavra a seu filho, seja bem específico!

Fonte: http://zip.net/blqZtC

 Adaptado pela Profª Bárbara Kristensen

Como estimular os cinco sentidos do bebê

 

Antes de entender o mundo, o bebê o sente. Por meio de sons, cheiros, gostos e, principalmente, toques, é que ele vai compreender o que acontece à sua volta. E faz isso com o corpo inteiro: mãos, pés, cabeça, boca, língua, ouvidos, olhos… Todas as sensações são integradas com a percepção do seu corpo no espaço. À medida que ele as experimenta, vai construindo a memória de suas vivências. O bebê é um ser ativo, capaz de perceber e comunicar seu estado interior utilizando as sensações físicas, as emoções e os gestos. É por isso que faz sons de satisfação ao mamar ou ao ser pego no colo, relaxa o corpo ao receber uma massagem e demonstra felicidade quando ouve determinada música.

 

Todos os sentidos são igualmente importantes. Veja a seguir algumas dicas para estimulá-los:

 

Tato

– A shantala, massagem indiana feita em bebês a partir de 1 ano, é um momento especial de interação e ajuda a criança a relaxar. Use óleo ou creme hidratante infantis e aproveite esses minutos ao lado do seu filho.

– Estimule a pele do bebê com pinceis bem macios de diferentes tamanhos, uma pena ou tecidos molinhos.

– Forre o chão com tecidos diferentes para a criança brincar. Dá para usar tule, seda, cetim e o que mais sua imaginação permitir.

– Quando começar a oferecer alimentos, deixe-o brincar com a comida na mão e experimentar temperaturas diferentes e consistências variadas. Faz sujeira, mas vale a pena!

 

Visão

– Esse é um sentido que deve ser trabalhado junto com o tato, porque o bebê antecipa com os olhos o que vai conhecer com as mãos. Mostre e depois ofereça a ele objetos de tamanhos e cores diferentes, variando a distância.

– Quando nasce, o bebê tem a vista embaçada e vê o mundo fora de foco. Nessa fase, o contraste de cores, como branco e preto, é interessante. Em vez de móbiles supercoloridos, por que não criar um com formas geométricas em branco e preto, com papel? Aos 6 meses, em média, ele vai enxergar como um adulto.

– Mostre também objetos em vários tons diferentes da mesma cor.

– No banho de sol, deixe seu filho em uma posição em que consiga ver as coisas ao redor. Embaixo de uma árvore, por exemplo, ele pode observar as folhas balançando.

 

Audição

– Não é só porque o bebê não entende que você não deve falar com ele. Muito pelo contrário. Conversar é fundamental para que ele aprenda a se comunicar.

– Crie narrativas nos diversos momentos da rotina. Use timbres e tons de voz diferentes, crie melodias…

– Coloque músicas de gêneros diferentes para ele ouvir. Mas também deixe o bebê ficar em silêncio, o que é igualmente importante, pois o excesso de estímulos sonoros pode deixá-lo agitado.

– Não poupe o bebê o tempo todo dos barulhos rotineiros da casa.

– Deixe-o jogar um objeto no chão e reparar no som que faz ao cair. Também permita que ele faça barulho com potes e panelas.

 

Olfato

– Coloque um cheirinho diferente na hora do banho, como lavanda ou hortelã, na água da banheira.

– Deixe-o sentir o cheiro da comida – o que, aliás, influencia positivamente o paladar e aumenta as chances da criança comer melhor.

– Faça sempre passeios ao ar livre, como no jardim ou na praça – um ótimo estímulo para todos os sentidos. Ponha um tecido gostoso na grama e deixe que o bebê sinta o cheiro da terra.

– Coloque diferentes tipos de chá (camomila, erva-doce, erva-cidreira, horela, manjericão, alecrim) naqueles borrifadores de roupa para a criança brincar com a “chuva cheirosa”.

 

Paladar

– Leve seu filho à feira desde pequeno e incentive-o a experimentar novos sabores (frutas que não se come a casca e que não precisam ser lavadas, por exemplo).

– Deixe-o livre para provar os alimentos – e prepare-se para a sujeira. Comida não é brinquedo, mas manusear é uma ótima maneira de conhecê-las e criar gosto por elas.

– Ofereça alimentos com texturas diferentes, um bom exercício para a mastigação.

– Criança não precisa comer comida sem sabor. Use temperos naturais para não abusar do sal.

 

Fonte: http://zip.net/bxrp0q

Adaptado pela Profª Bárbara Kristensen

Você está criando crianças materialistas?

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Toda vez que o seu filho se sai bem em alguma tarefa você oferece um presentinho como recompensa? E quando ele se comporta mal? O castigo é sempre ficar sem algum brinquedo ou eletrônico? Pois saiba que esse tipo de estratégia pode estimular o materialismo e fazer com que ele passe a relacionar o sucesso na vida com a qualidade e a quantidade de seus bens materiais. A conclusão é de um estudo feito nas universidades de Missouri e de Illinois, nos Estados Unidos. Na ocasião, os pesquisadores perguntaram a 700 adultos que tipo de recompensa e punição eles receberam durante a infância.

Com base nas respostas, foi possível apontar três comportamentos dos pais que contribuem para formar um adulto materialista:

– Dar presentes quando a criança conquista algo, como ganhar um jogo de futebol ou ir bem na escola;

– Usar presentes como prova de afeto;

– Tirar um bem material como forma de castigo.

Aprender a doar

“Essa questão vem sendo apontada há algum tempo na história da pedagogia. Já na década de 40, a educadora Maria Montessori dizia que a maior recompensa que a criança tem é o próprio êxito”, diz Edimara de Lima, diretora pedagógica da Prima-Escola Montessori de São Paulo, destacando que essas crianças acabam sendo também mais imediatistas e ansiosas.

Para a especialista, não há problema em presentear a criança no caso de comemorações importantes, mas é preciso haver uma medida, até para não usar o presente como chantagem disfarçada. O mesmo vale para a punição, que precisa ser coerente e proporcional para funcionar de maneira adequada. “Não pode ser algo aleatório, tem que haver uma relação lógica e direta com o que aconteceu”, afirma Edimara.

O mais importante é não usar bens materiais como moeda de troca na hora de educar e se relacionar com os filhos. Você pode ensiná-lo a valorizar o que já tem e a consumir de maneira adequada. “O bom comportamento pode e deve ser premiado com afeto no lugar de produtos. Vale um abraço dos pais ou uma palavra carinhosa. A criança precisa perceber que contribuiu de alguma forma”, explica Gabriela Yamaguchi, especialista do Instituto Akatu, ONG que trabalha pelo consumo consciente.

A presença ainda é o melhor presente. Deixe bilhetes e recados, verbalize seu orgulho e alegria com as conquistas dele e separe um tempo para desenvolver atividades em família. Pode ser uma brincadeira que ele goste, um momento de contação de histórias ou até um banquete em casa, organizado por vocês com a comida favorita dele. Quando for época de aniversário ou Natal, converse sobre o excesso de pertences e organize uma limpeza no armário para abrir espaço para as novas aquisições. Separem juntos o que vai para a doação e para a reciclagem. A ideia é aproveitar esses momentos para reforçar os valores da família. “Sem perceber, os pais muitas vezes acabam construindo um vocabulário voltado para o valor exacerbado do consumo “, diz Gabriela. Pense nisso!

 

Fonte: http://zip.net/bvqHWK

Adaptado pela Profª Bárbara Kristensen