Leitura para bebês

 

O que é que pode ao mesmo tempo entreter o bebê, ajudá-lo a conquistar novas habilidades, tornar sua imaginação mais fértil, deixá-lo mais independente e, de quebra, criar rituais muito particulares e ricos com os pais? Se você pensou em um livro de histórias, acertou em cheio. Ler para bebês, mesmo antes de terem nascido, assim como apresentar livros para as crianças logo nos primeiros anos de vida, significa oferecer a eles uma cesta de benefícios embutidos em páginas coloridas, não importa se são de papel, plástico, tecido… “Ainda na barriga, o bebê pode ouvir histórias contadas pela mãe. Ele é um leitor ouvinte nessa fase, claro. Escutar a voz cadenciada da mãe é sempre um prazer para o bebê, que começa a ouvir ali pela 20ª semana da gestação”, diz a psicóloga e psicopedagoga Melissa Blanco. Segundo ela, é um princípio semelhante ao de oferecer música aos ouvidos do feto. “Claro que o bebê não vai entender a história, mas não é esse o ponto. O importante é aproveitar a oportunidade para criar um delicioso ritual entre a mãe e o bebê e ao mesmo tempo acostumá-lo com sua voz.”

Primeira infância

Diferentemente do que muitos pais acreditam, o livro oferece mais do que treino para a alfabetização. É uma atividade completa: ajuda a conhecer costumes, idiomas e a riqueza que o mundo oferece. Quanto mais cedo começar, mais curiosa e preparada para conviver com as diferenças será a criança. “A leitura na primeira infância deve ser entendida como uma das necessidades básicas, fundamentais a serem supridas mesmo antes do nascimento”.

Quando o bebê cresce, permitir que manuseie o livro é fundamental. “Nessa fase, ele aprende pelos sentidos, leva tudo à boca, precisar tocar, sentir para aprender. Os livros são ideais para ajudá-lo a diferenciar texturas, formas e cores. Há obras muito boas para essa fase”, orienta Melissa. A leitura é também perfeita para colaborar com rituais importantes na primeira infância, como o de dormir. A criança associa a leitura com um momento que é dela e da mãe ou do pai, e sabe que antes de dormir terá direito a esse momento e a uma historinha. “O conhecimento do mundo chega para as crianças da primeira infância por meio dos sentidos e do afeto. A leitura resolve suas duas necessidades”, destaca o pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein Oscar Tadashi Matsuoka.

Para Maria Letícia, a leitura sem dúvida cria cumplicidade com os adultos, mas ela acredita que os livros são tão importantes que sejam um fim em si mesmos. “Mais do que preparar para uma outra fase, a leitura cria expectativa, encantamento, provoca hipóteses sobre a história, cria mistério. Tornar-se leitor, mesmo sem saber ler, causa prazer”, diz ela. As publicações mais lúdicas, como livros de plástico para o banho, com brinquedinhos, que tenham sons e texturas, são as mais adequadas para o primeiro ano. “É uma fase em que a criança ainda não entende histórias, mas é o momento em que ela deve ser estimulada e incentivada com seus recursos: os sentidos”, afirma Melissa. A partir do segundo ano, a criança já pode receber informações mais definidas e sofisticadas: as cores, as formas, as texturas e seus nomes e palavras simples devem fazer parte de sua biblioteca. É quando ela começa a ensaiar as primeiras palavras e a decodificar o mundo.

Diversos formatos

Questões específicas que estão sendo trabalhadas pelos pais também podem ser reforçadas. Uma criança que vai ganhar um irmãozinho, por exemplo, costuma se beneficiar com livros em que o personagem também convive com a chegada de um segundo bebê. “Mas isso só vale para questões específicas que a criança esteja vivenciando. Se for algo abstrato, que não esteja no seu dia a dia, ela não vai entender”, alerta a psicopedagoga Melissa.

Montar uma biblioteca desde a primeira infância é um passo importante para a familiarização das crianças com os livros e para ajudar a incorporar a leitura ao seu cotidiano. O mercado oferece muitas opções e possibilidades, mas sempre é bom pensar em estilos, formatos e gêneros diversos. “Nada melhor do que crescer em contato com múltiplas manifestações artísticas e culturais. Para isso, os clássicos, dos mais antigos aos mais contemporâneos, nacionais e internacionais, são sempre um bom começo”, finaliza Dolores.

Primeiras páginas

Uma boa dica para formar a biblioteca é conhecer diferentes autores e suas obras. Como há excelentes escritores nacionais, vale a pena investigar e procurar em revistas e blogs especializados em literatura infantil. Navegar pelo site das editoras também ajuda a escolher.

Fonte: http://migre.me/dwkdS

 Adaptado pela Profª Heloisa Moser Bittencourt

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